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domingo, 16 de janeiro de 2011

Enterradas sem surpresa

A NBA anunciou nesta quarta-feira (5 de janeiro) os competidores e as novidades para o Sprite Slam Dunk Contest de 2011, o tradicional concurso de enterradas que acontece anualmente no sábado do All-Star Weekend. Blake Griffin (Los Angeles Clippers), Brandon Jennings (Milwaukee Bucks), JaVale McGee (Washington Wizards) e Serge Ibaka (Oklahoma City Thunder) serão os competidores. Neste ano, os candidatos contarão com a ajuda de “técnicos” para elaborarem suas enterradas para o evento, e todo o processo será registrado em uma minissérie online. Leia mais, em inglês, aqui.

A lista de competidores não é ruim – tem o homem que todos queriam ver, o calouro Blake Griffin; o pivôzão da vez, McGee, que apesar de grandalhão, tem a agilidade de um ala; Ibaka, que já foi campeão do concurso de enterradas da liga ACB espanhola, em 2009; e Brandon Jennings, que eu nunca vi fazer nenhuma enterrada monstruosa, mas é o baixinho da vez e pode conseguir alguma simpatia como “candidato a zebra”. Entretanto, as mudanças no concurso não me agradaram muito.

A ideia de exibir online toda a preparação para o evento, dando aos fãs a chance de escolher quais enterradas serão usadas no concurso, acaba com todo o fator-surpresa que é parte crucial do torneio. É verdade que o ineditismo já sumiu do Slam Dunk Contest há muito tempo; hoje em dia, a maioria das enterradas que víamos na competição são executadas durante os jogos, e é possível encontrar cravadas ainda mais inacreditáveis com uma simples busca no Youtube. E, para ser justo, foram os próprios jogadores que começaram a “entregar” suas preparações – Dwight Howard, Gerald Green e Rudy Gay fizeram campanhas online nos últimos anos, mostrando seus treinos para o evento com antecedência.

Ainda assim, à primeira vista, a NBA exagerou na sua política de “acesso total” aos fãs. É admirável e inteligente que a liga dê tanta importância à interatividade, mas não dá para evitar a pergunta: pra que vou assistir ao concurso se já sei exatamente o que cada um vai fazer? “Ah, ótimo, ele deu aquela cravada que eu vi em três episódios da minissérie.” A não ser que cada um guarde uma ou outra enterrada “na manga”, ou que um dos competidores roube o lance do outro – será que isso vale?

A inclusão dos treinadores é uma ideia interessante, embora pareça ser apenas mais um “truque”, como a terrível “roda da fortuna” de 2002, que continha lances clássicos do concurso para serem imitadas pelos competidores. Pode ser que as parcerias gerem enterradas mais originais, mas meu temor é que não sejam mais do que uma pequena graça para a minissérie.

Sou fã antigo e incondicional do concurso de enterradas, mas sou uma espécie rara. O Slam Dunk Contest vem sofrendo críticas e perdendo público há duas décadas. Torço para que as mudanças atraiam uma nova audiência, sem alienar admiradores de longa data como eu. Tenho a sensação, porém, que novas mudanças serão necessárias no ano que vem.

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